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Arquivo de outubro, 2009

Escher, mosaicos e quase-cristais

30, outubro, 2009 Giseli Ramos 8 comentários

Provavelmente você já deve ter ouvido falar de M. C. Escher. Alguns dos desenhos desse artista holandês são simplesmente fantásticos! Um dos tipos de arte que Escher admirava são os mosaicos islâmicos, permeados de padrões geométricos. Dá para perceber a influência do fascínio dele em vários de seus conhecidos trabalhos, como Circle Limit III.

Mosaico por awork.pl

Um mosaico

Fonte da imagem: awork.pl

Uma questão interessante que vi num artigo era sobre porque boa parte da arte islâmica era cheia de padrões geométricos. Escher lamentou (erroneamente) que os artistas que faziam os mosaicos eram proibidos pela tradição religiosa de representar seres vivos. De qualquer modo, é interessante ler no artigo as influências que forjaram a arte islâmica e vou mencioná-las:

- Sem imagens de Deus, exceto a luz: Os muçulmanos não permitiam a idolatria e uma forma adequada para representar Deus era por meio de abstrações, como a luz.

- Escrita é uma obra de arte, não uma ferramenta: Os artesãos árabes, ao contrário dos europeus, consideravam a escrita como um trabalho de obra de arte, não uma ferramenta apenas.

- Geometria é “espiritual”: Bem antes dos muçulmanos, os gregos sempre associaram a geometria a coisas religiosas e místicas. Sua abstração e sua consistência foram um indicativo de um mundo perfeito por trás da realidade e portanto, associada aos deuses. Platão disse (por aí): “Deus pratica geometria”. Depois, foi a vez dos estudiosos muçulmanos considerarem a geometria como um perfeito intermediário entre o material e o espiritual. Boa parte da matemática estudada pelos islâmicos veio das traduções de obras de gregos como Euclides e Pitágoras.

– Paixão pelo céu: A astronomia é uma das ciências mais antigas da humanidade. Desde que o homem se entendeu como gente, sempre interagiu com os céus, tanto de maneira religiosa como prática. As estrelas sempre exerceram um fascínio universal, basta olhar as bandeiras de alguns países. Os árabes viveram em desertos, de maneira nômade e navegavam pelos mares, então faziam constantes observações do céu para navegação. E há uma exigência ao devoto, por 5 vezes ao dia saber a direção correta para se rezar. Grande parte das estrelas do céu têm nomes que vieram do árabe. Fácil de descobrir, não?

- Tapeçaria: A arte de fazer tapetes estava bem estabelecida, por ser uma tradição mais antiga ainda. Não vai dizer que os tapetes persas não têm padrões repetitivos?

Pena que o artigo não esteja disponível de forma livre e só para universidades conveniadas… De qualquer modo, achei bacana saber desses princípios da arte árabe.

Isso leva a outra coisa interessante… será que esses artistas usavam matemática? Ainda mais, uma matemática avançada? Há um estudo feito por Peter Lu e Paul Steinhardt de que eles anteciparam a matemática avançada dos quase-cristais. E o que seriam esses quase-cristais? São estruturas intermediárias entre os cristais – que têm repetição regular e periódica de sua estrutura – e os vidros – sem regularidade na sua repetição. São estruturas simétricas, mas sem repetição.

Um padrão comum nesses antigos mosaicos chamado girih, em persa, é um conjunto de polígonos – decágono, pentágono, diamante, gravata borboleta ou hexágono – que ficam lado-a-lado, sem espaços entre eles e com faixas permeando esses polígonos. Um dos cientistas do estudo verificou que essas estruturas, ainda que simétricas, não se repetiam, ou seja, tinham o mesmo modus operandi dos quase-cristais.

De qualquer modo, sendo essa teoria da matemática dos quase-cristais ser antecipada ser verdadeira ou não, é inegável que os artistas islâmicos medievais sabiam fazer belos padrões geométricos. A repetição meio que é um sinômino de vida, afinal, a vida começou quando a molécula de DNA soube se replicar. É meio que sinônimo com infinito.

Estou em boa companhia dos que curtem isso, como Escher! :D

Leia mais:
Medieval Islamic Mosaics Used Modern Math
Symmetry and Islamic Art

Robôs que andam

27, outubro, 2009 Giseli Ramos 7 comentários

Não sei se vocês já ouviram falar do BigDog, da Massive Boston Dynamics, que é um robô-mula de quatro pernas com um sistema de equilíbrio impressionante, capaz de se equilibrar mesmo levando empurrões violentos.

Agora lançaram mais um robô chamado PetMan que anda com duas pernas! O objetivo é realizar testes com trajes químicos militares. Veja o vídeo abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

Alguém duvida da Skynet?

Via Technology Review.

Vídeo da palestra sobre Blue Brain

18, outubro, 2009 Giseli Ramos 2 comentários

No meu post anterior, comentei sobre uma palestra do diretor do projeto Blue Brain. Pois então, acabei de descobrir que agora está on-line o vídeo da palestra. O site do TED costuma disponibilizar legendas, mas ainda não postaram ainda as dessa palestra… Mas fica a dica =)

Via Moral Machines.

Emulação do cérebro em tão pouco tempo?

15, outubro, 2009 Giseli Ramos 10 comentários

Há tempo atrás vi algumas notícias relacionadas a uma palestra no TED de Henry Markram, diretor do projeto Blue Brain que tem como objetivo a simulação do cérebro por meio de engenharia reversa até o nível molecular.

A palestra ganhou destaque não só por causa do objetivo ambicioso (afinal, fazer um cérebro sintético não é moleza) mas também porque o diretor prevê que, em até 10 anos, já teremos um cérebro sintético funcional. Admito que acho meio difícil de acreditar, dado o histórico de previsões furadas na área de computação, mais ou menos no estilo daquela previsão da Popular Mechanics de 1949 sobre os computadores do futuro (a revista dizia mais ou menos assim: “Os computadores do futuro deverão ter apenas mil tubos de vácuo e pesar 1,5 mil toneladas”).

Tá, verdade que várias outras previsões foram acertadas e a computação atual está evoluindo rápido, ainda mais com os avanços promissores da computação biológica e quântica. Mas fazer estimativas no campo da inteligência artificial em um estágio que nem sabemos direito o que é consciência e como pensamos? Será que uma engenharia reversa do cérebro pode mesmo elucidar os mistérios do cérebro?

Os recursos computacionais do projeto Blue Brain são impressionantes, cada neurônio modelado exige o equivalente a um laptop. E como os pesquisadores conseguiram criar um modelo tridimensional com 10 mil neurônios, é como se tivéssemos 10 mil laptops rodando, um para cada neurônio.

Inicialmente os pesquisadores simularam um cérebro de rato, cujos neurônios eram estimulados apenas por correntes elétricas, mas posteriormente os neurônios se organizaram espontaneamente em um padrão mais complexo ainda. Isso é bem interessante, pode indicar que o padrão de neurônios auto-organizáveis evolui para algo que chamamos de personalidade. Natural especular que se isso ocorreu com o cérebro de rato simulado, o mesmo poderia acontecer com o cérebro humano simulado. E se a consciência emergir?

Apesar de minhas simpatias por IAs insanas como a Skynet e Wintermute (personagem de Neuromancer), torcerei para que a consciência que emergirá (se emergir) dessa simulação seja benevolente, pelo menos comigo.

Aparelho auditivo implantável

9, outubro, 2009 Giseli Ramos 10 comentários

Na última semana passada, algumas pessoas comentaram comigo que viram uma reportagem na televisão falando sobre um implante. Resolvi dar uma pesquisada para saber que tipo de implante, e não é que é uma tecnologia interessante? Achei uma reportagem da revista Época que tratava sobre o implante. Se trata de um aparelho auditivo implantável, que não aparece, ou seja, fica tudo dentro do sistema auditivo!

Mas não é qualquer um que pode ter o aparelho auditivo implantável (AAI), são para pessoas que não tiveram perda total de audição, de casos moderados a severos. E é uma cirurgia ainda experimental, sem aprovação da FDA (órgão de controle de medicamentos).

O funcionamento é bem diferente de um implante coclear. No caso do AAI, há um sensor no primeiro osso depois do tímpano (a bigorna), que transmite as vibrações para um processador que reforça as vibrações e manda elas ao estribo (o osso antes da cóclea), que transmite essas vibrações à cóclea que, por sua vez, converte essa energia mecânica em sinais elétricos para serem enviados ao nervo auditivo.

O implante coclear consiste em pegar os sons do processador de fala (parte externa), que converte esses sons já em sinais elétricos enviados diretamente aos eletrodos colocados na cóclea, que transmitem ao nervo auditivo. Ou seja, a audição no implante coclear não é pela vibração dos ossos entre o tímpano e a cóclea.

Não posso dizer se um sistema é melhor que outro, afinal, eu não sei como é a percepção nos dois casos ainda… Mas é bom saber que a tecnologia deu mais um passo para facilitar a vida! =D