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Arquivo da Categoria ‘história da ciência’

Alan Turing – 23/06/1912

23, junho, 2010 Giseli Ramos 5 comentários

Hoje é aniversário de um dos cientistas mais influentes do século 20, Alan Turing. Ele faria hoje 98 anos, se não fosse levado ao suicídio por causa de certas políticas de repressão ridículas que existiam na Grã-Bretanha naquela época. E como bem disse o Carlos Orsi nesse post, falar dele em um simples post não é suficiente e digno para alguém como Turing.

Ouvi falar dele bem no início de minha graduação, o momento exato não me lembro, mas sei que foi em algum livro de computação e matemática… e bem que queria tê-lo conhecido antes. Como o tempo urge para meus projetos profissionais e acadêmicos, e para não deixar passar a data em branco, só quero repassar alguns links interessantes que merecem ser lidos. Além do post do Orsi que indiquei acima, também recomendo dar uma lida no post do blog do WolframAlpha (e no final do post há outros links que valem a pena.

Para finalizar, sabem as famosas máquinas de Turing? Pois é, sabiam que existe um outro tipo de máquina, que é um modelo computacional hipotético, a chamada máquina de Zeno? Recomendo ler o excelente post do RicBit, que trata justamente disso, de como a complexidade de alguns algoritmos é brutalmente reduzida ao mudar de máquina Turing para máquina Zeno, onde seria fácil provar que P=NP ou que a fatoração seria muito simples. Quem precisa de computador quântico nessas horas? :D Pena que são hipotéticas… e não resolvem o problema da parada.

Fica aqui a minha humilde homenagem ao patrono da computação e da inteligência artificial.

Dia de Ada Lovelace 2010

24, março, 2010 Giseli Ramos 6 comentários

Hoje é o dia de Ada Lovelace! Não, não, ela não nasceu nessa data, é um dia dedicado para blogar e/ou twittar a respeito das contribuições das mulheres na ciência, o que acho uma iniciativa bem válida. Afinal, você sabe se houve alguma mulher que ganhou a medalha Fields? E sabia que Ada Lovelace foi a primeira programadora? Ela fez o primeiro programa que poderia funcionar na máquina analítica de Babbage. De fato, a matriarca da programação (by Romeu).

Ada Lovelace

Ada Lovelace, a matriarca da programação

Bem que queria fazer um post caprichado a respeito (falta de tempo…), então me concentrarei em passar uns links que achei bem interessantes e uns comentários rápidos. Para começar, veja essa fantástica apresentação a respeito de Ada Lovelace (em inglês). Vale muitíssimo a pena ver! =D

É coisa recente as mulheres começarem a serem reconhecidas na área de computação… Conhecem o prêmio Turing? É uma espécie de Nobel da computação, para premiar as contribuições nessa área, afinal, um bom trabalho deve ser reconhecido, não? Desde 1966 não tinha premiado nenhuma mulher… até 2006! Quem ganhou nessa época foi Frances E. Allen, por suas contribuições à área de otimização de compiladores e de processamento paralelo. E em 2009, outra mulher ganhou o prêmio, Barbara Liskov, por contribuir para os fundamentos de design de sistemas e de linguagens de programação. Espero que no futuro possamos ver mais trabalhos importantes e marcantes feitos pelas mulheres. Para ver a lista de todos os ganhadores do Turing award, veja o verbete da Wikipedia.

Outra dica é esse wiki de mulheres notáveis. Vale a visita!

Descobriram se houve alguma ganhadora da Medalha Fields? Não? Pois é… porque nenhuma ganhou até agora! Apesar de termos tido várias matemáticas notáveis (desde a Antiguidade, como Hipátia até o século 20, como Emmy Noether), ainda estamos esperando uma para o século 21 que ganhe o devido reconhecimento.

Para finalizar, o Brasil não faz feio, temos várias cientistas de peso por aqui, certamente! Espero que possamos aumentar a galeria de cientistas notáveis! :D

Happy Ada Lovelace Day!

Breve panorama da estatística e lei de Stigler

22, dezembro, 2009 Giseli Ramos 9 comentários

Acabei de ler esses dias um livro muito bacana, o “Uma senhora toma chá… – como a estatística revolucionou a ciência no século XX”, de David Salsburg.

O autor consegue a proeza de traçar um panorama da história da estatística até o final do século XX de maneira bem agradável, com exemplos de aplicações até os dias atuais, além de falar de alguns cientistas, alguns humildes e outros com ego grande, tramas com estatísticos trabalhando com a cervejaria Guiness e outras sobre preconceitos sexuais com as mulheres na estatística. É bom tanto para os iniciados na área como para os não-iniciados, que nem precisam ter profundo background matemático.

Tem várias personalidades, como R. A. Fisher (estranhamente, confundo-o com Bob Fisher de vez em quando…) e A. N. Kolmogorov (um de meus matemáticos prediletos, merecidamente um Mozart da matemática). Mas o que achei legal mesmo é o destaque que o autor deu às mulheres na história da estatística. Eu não sabia que a enfermeira Florence Nightingale era uma boa estatística! Melhor ainda, ela inspirou um casal amigo dela a dar o nome Florence Nightingale David à filha do casal. Pois é, existem duas Florences Nightingales! F.N. David trabalhou por uns tempos com o eminente estatístico Karl Pearson, que também está no livro. Na real, o nome original do cara era Carl, mas mudou-o para Karl, em homenagem a Karl Marx. O_o

A guria também escreveu um livro interessante sobre probabilidade, o “Games, Gods and Gambling”, um misto de autobiografia com história. Vou dar uma olhada nesse livro também :D

Outra coisa interessante que aprendi do livro é a chamada “lei da misonomia de Stigler” ou “lei da eponimia de Stigler”. O que diabos significa? O enunciado da lei seria:

Nenhuma coisa na ciência leva o nome da pessoa que a descobriu.

Eu não diria que TUDO na ciência e em matemática segue essa lei, mas realmente há exemplos abundantes. Para começar, com a própria lei:

  • Lei de Stigler: Stephen Stigler diz que a lei foi enunciada pelo sociólogo Robert K. Merton.
  • Distribuição gaussiana (normal): Dizem que foi Gauss que descobriu isso. Mas foi Abraham de Moivre quem escreveu primeiro a fórmula. Há alguns comentários na literatura de que Daniel Bernoulli tenha a escrito, mas não é unanimidade.
  • Distribuição de Poisson: Poisson escreveu sobre essa distribuição, mas novamente, a distribuição foi descrita anteriormente por um dos Bernoulli.
  • Mal de Alzhemier: É verdade que foi descrita por Alois Alzhemier, mas outros já faziam descrições dessa doença.
  • Algarismos arábicos: Deviam ser chamados de algarismos indianos ou hindu, afinal, foram inventados na Índia! Vez ou outra, os chamam de indo-arábicos…

E há vários outros exemplos

Não é simplesmente mais um livro sobre a história da estatística. Diria até que foi o melhor que li até agora. Tem outro que fiz breves comentários, o “Enigmas of Chance” de Mark Kac, mas o “Uma senhora toma chá…” ganha de longe! Recomendadíssimo! :)

O efeito Mateus na ciência

1, setembro, 2009 Giseli Ramos 10 comentários

Um dos motivos de eu adorar a biblioteca da universidade é que em meus frequentes passeios por ela, sempre me deparo com livros que, de outro modo eu nem ia saber ou demoraria mais ainda a ler. Tem uma seção na biblioteca dedicada a biografias de matemáticos e foi numa dessas passagens que peguei uma autobiografia de Mark Kac, o “Enigmas of Chance”.

Kac foi um matemático polonês que emigrou aos EUA pouco antes da invasão da Polônia pela Alemanha nazista. Foi bastante ativo na área de probabilidade e estatística e trabalhou com vários matemáticos eminentes, entre eles, Erdös.

Apesar de não achar tão cativante quanto a biografia “The Man who loved only numbers” (sobre Paul Erdös), o livro do Kac tem seus méritos, já que acabei aprendendo algumas coisas aqui e acolá.

Uma que achei interessante é o efeito Mateus (em inglês, Matthew effect), termo cunhado por Robert Merton, que descreve a tendência de cientistas famosos obterem mais crédito do que deveriam que cientistas não tão famosos, por trabalhos similares. Isso não é novidade, eu só não sabia que tinha um nome.

O nome vem do versículo Mateus 25:29:
Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.

Kac mencionou o estudo de Marian Smoluchowski, que descreveu o movimento browniano. Outro cientista, Albert Einstein, também explicou o fenômeno, de maneira diferente. Não é nenhuma surpresa que hoje pouca gente saiba disso e o crédito ser atribuído geralmente só a Einstein.

Outro exemplo que vi, desta vez na Wikipedia, é a noção de complexidade de Kolmogorov (basicamente, qual o menor recurso computacional necessário para descrever algum objeto – veja mais no verbete da Wikipedia). Ray Solomonoff é que formalizou essa noção, consequência de seus estudos na teoria de probabilidade algorítmica. Kolmogorov chegou às mesmas ideias pouco depois de Solomonoff.

Sem contar que, a von Neumann, é atribuído o título de “pai do computador”. De fato, vários de seus estudos revolucionaram e ajudaram a impulsionar a teoria da computação e de informação. Mas é injusto atribuir créditos apenas a ele, alguns de seus estudos também tinham ideias expandidas de outros colaboradores. Mesma coisa com a teoria dos jogos, poucos se lembram de Oskar Morgenstern, que escreveu em conjunto com von Neumann o livro que inaugurou oficialmente a teoria dos jogos na matemática.

Eu resolvi pesquisar para ver se não era o caso de César Lattes (um dos descobridores do méson-pi) e de Rosalind Franklin (que também decifrou a estrutura correta do DNA). O primeiro caso, de Lattes, foi mais pelas regras injustas do comitê Nobel, que até 1960 só premiava o líder de pesquisa do grupo.

E o segundo caso, de Rosalind Franklin, me levou a conhecer o corolário do efeito Mateus, o efeito Matilda. Primeiro, deixe-me dizer o que significa corolário: é a consequência imediata de um teorema ou postulado, nesse caso, o efeito Mateus.
Cunhado pela historiadora científica Margaret Rossiter, por causa de Matilda Gage (que experimentou “em primeira mão” o efeito), identifica a situação em que mulheres cientistas recebem pouco ou nenhum crédito pelo seu trabalho científico.

Esses são só alguns dos exemplos. E assim segue a história da ciência… Parece que hoje a situação melhorou bastante, mas ainda tem o que melhorar. O futuro nos dirá.

Ver mais:
Mark Kac on education, physics and mathematics
Biografia de Mark Kac no MacTutor

Fonte do trecho bíblico aqui.