Marte é um belo e misterioso planeta que nos fascina desde a Antiguidade… Para provar esse ponto, só olhando a quantidade de missões enviadas ao planeta vermelho e ao fato de que Marte é fotografado pela melhor do Sistema Solar
Terminei há um tempo de ler a fantástica sobre Marte, do , que é composta dos seguintes livros: Red Mars, Green Mars e Blue Mars. Infelizmente sem tradução para português e como o disse, como as editoras brasileiras demoram muito (ou nunca) para traduzir várias obras importantes (não apenas de ficção científica, como de outros gêneros), teremos que ler no original para nos mantermos em dia
Na minha opinião, acho que foi a trama mais hard sci-fi que já vi sobre terraformação marciana. A saga começa com Red Mars, em 2026, com o envio dos primeiros 100 colonizadores para o planeta e uma breve descrição da sociedade naquele momento, que diga-se de passagem, é um futuro bem plausível, dominado pelas corporações e alianças com governos. Afinal, quantas decisões governamentais mundiais hoje em dia são influenciadas por causa de corporações? E o primeiro volume termina em 2062, com uma revolução, para se tornar independente da Terra.
Green Mars se passa depois da revolução (que fracassou) e mostra tanto Marte e Terra em situações difíceis e a luta entre vários grupos com pontos de vista diferentes sobre a modificação de Marte.
E a trilogia se encerra com Blue Mars que mostra a consolidação de Marte, já bastante alterado pela terraformação, como um planeta com seu próprio governo e sua sociedade. O último volume foi o mais fraco dos três, o autor ainda deu uma enrolada desnecessária em algumas partes e não curti muito o final, parece que perdeu um pouco de fôlego. Mas isso não tira o mérito da trilogia, certamente vale a leitura!
O impressionante nessa trilogia é que Marte não é um mero coadjuvante, é um personagem em seu próprio direito, o que só torna as coisas bem interessantes. E nas descrições de deslocamentos pela superfície marciana, o autor não economiza nas palavras para contar como foi o trajeto, rodeado de majestosas paisagens, sem contar as dificuldades. E há mapas nos três livros, para se situar.
Eu situaria essa trilogia como um dos must read de obras de ficção científica. Apesar de ser bem hard sci-fi, não significa necessariamente que o autor usou corretamente argumentos científicos, algumas coisas da terraformação descritas nos livros forçaram muito a barra, mas afinal, é ficção científica e não afeta muito a suspensão de realidade, pelo menos. E agradeço ao Ivo, que gentilmente me emprestou essas obras
Finalizando, sugiro, para imersão de realidade marciana, navegar no e no site da .
Ano passado a respeito de um livro que li, Flatland, de Edwin Abbot. Pois bem, agora tive a oportunidade de ler um livro de ficção de matemática/ciência/computação que é uma versão bem mais incrementada de Flatland (mas sem desmerecê-lo, é claro), onde, em vez de especular sobre um universo bidimensional em um plano infinito, é em um universo com gravidade e com um planeta circular, com estrelas e átomos, enfim, o pacote completo universal em 2D.
Isso leva a vários problemas práticos. Quando há seres vivos bidimensionais vivendo nesse círculo planetário, como ir de um lado para outro? Como seria a sociedade? Uma tecnologia bidimensional seria possível? Seres vivos 2D seriam biologicamente possíveis?
O livro The Planiverse: computer contact with a two-dimensional world, de A. K. Dewdney trata de todas essas questões, onde um professor de computação e seu grupo de estudantes (tridimensionais, para deixar claro) se deparam acidentalmente com um mundo de duas dimensões muito mais rico do que imaginavam nas suas simulações. E conversam com um ser vivo bidimensional chamado Yndred, que lhes dá informações interessantes sobre o mundo em que vive.
A grande atração do livro não é a trama em si e sim as tentativas de responder a todas essas perguntas acima, enriquecidas com desenhos e gráficos dos seres vivos, do ambiente, de situações, de construções, de tecnologias e das forças da natureza.
Falando de construções, todas estão debaixo do chão, afinal, as pessoas precisam trafegar pelo planeta. Isso leva a umas construções e a umas regras de comportamento interessantes… que não mencionarei, seria, de certa forma, um spoiler. Vou é propor um pequeno experimento mental: o que fazer se você vê uma aglomeração de seres trabalhando ou jogando algum esporte? (claro que existem diversões bidimensionais!) Ou pega o livro ou tente você mesmo responder à questão =D Duas dicas: lembre-se do ponto de vista do ser bidimensional, ele vê tudo em linha vertical; a outra dica, pressa não existe nesse mundo, paciência é a norma.
Outra coisa que achei muito legal é pensar a respeito das leis físicas nesse universo. Elas se comportam de maneira diferente, por exemplo, você sabe que no nosso universo, a força gravitacional diminui à proporção de . Em duas dimensões, diminuiria à razão de , ou seja, as forças da natureza, de certa forma, são mais fortes em 2D que em 3D, porque demoram mais para se dispersar. Para entender melhor, tente imaginar o seguinte em 3D:
- temos uma fonte de luz pontual que emite energia;
- à distância de 1 metro dessa fonte de luz, temos um quadrado iluminado pela fonte de luz com uma certa energia E;
- à distância de 3 metros, teremos 9 quadrados iluminados pela fonte de luz, mas a energia que incide é a mesma, E. Ela está apenas distribuída nos 9 quadrados, em vez de se concentrar em um só quadrado;
É por isso que a energia se reduz ao quadrado com a distância. Agora, em 2D, nos interessa apenas a “linha” , que vai da fonte da luz até o vértice do quadrado a 1 metro de distância. Para visualizar graficamente isso, dê uma olhada que é uma página do livro no Google Books que explica esse fenômeno da energia bidimensional.
Também há no livro algumas reflexões a respeito do eletromagnetismo, dos átomos e das configurações possíveis de moléculas no plano… e muitas outras coisas. Então, será que dei motivos suficientes para tu querer ler o livro?
Para finalizar, que tal “relaxar” tentando decifrar formas em quatro dimensões? Pegue gratuitamente (e legamente) esse filme, , e boa diversão!
Dando continuidade a um costume meu iniciado ano passado, aí vai minha lista de leituras de 2009. Como boa doida que sou, resolvi tentar a meta de ler 100 livros, no mínimo. Sendo que entra aí também HQs (digo, só aquelas encardenadas em volumes grandes, não as revistas mensais de algumas séries, como “” que costumo acompanhar). Não estão inclusas na lista as releituras (foram uns 4 livros só).
Uns breves comentários antes de ir à lista propriamente dita. Vale a pena dar uma olhada na lista de e na . Sem contar os posts da Ana Cristina sobre os e a sobre romances (parece que vem mais coisas, então acompanhe o blog dela se puder).
Talvez a lista seja modificada até o dia 31, com um ou dois livros a mais. E pro ano que vem, não estabelecerei metas, só anotar os livros lidos e continuar com minha carreira de resenhadora amadora de livros. Bom, aí vai a lista então! E alguns com links para resenhas ou posts inspirados pelo livro, tanto nesse blog como no meu antigo.
1 - O nome da Rosa - Umberto Eco
2 - Barba-Azul - Kurt Vonnegut
3 - Death from Skies - Philip Plait
4 - Tempo Fechado - Bruce Sterling
5 - The Solaris Book of New Science Fiction vol 2 - George Mann
6 - Team Yankee - Harold Coyle
7 - Os cérebros prateados - Fritz Leiber
8 - The player of games - Iain M. Banks
9 - Macacos e outros fragmentos ao acaso - Jorge Moreira Nunes
10 - Anjos caídos - Harold Bloom
11 - A Bruxa de Kepler - James A. Connor
12 - Vinte Mil Léguas Submarinas - Júlio Verne
13 - A menina que roubava livros - Markus Zusak
14 - A perereca da vizinha (HQ) - Fernando Gonsales
15 - Use of Weapons - Iain M. Banks
16 - Malleus Maleficarum - Heinrich Kramer e James Sprenger
17 - Mania de Matemática-2 - Ian Stewart
18 - O livro de areia - Jorge Luis Borges
19 - Copenhagen - Michael Frayn
20 - Nada de novo no front - Erich Maria Remarque
21 - O Homem que Calculava - Malba Tahan
22 - Paradigmas volume 1 - vários autores
23 - Programming the Universe: A Quantum Computer Scientist Takes on the Cosmos - Seth Lloyd
24 - Cryptonomicon - Neal Stephenson
25 - Anacrônicas - Ana Cristina Rodrigues
26 - Heisenberg’s War - Thomas Powers
27 - Fastfoward - Robert J. Sawyer
28 - Jogos, Conjuntos e Matemática - Ian Stewart
29 - - Edwin Abbot
30 - Sphereland - Dionys Burger
31 - Confissões do Inexplicável - André Carneiro
32 - A revolução dos q-bits - Ivan S. Oliveira e Cássio Leite Vieira
33 - The Math Behind the Music - Leon Harkleroad
34 - Deus: uma ilusão - Richard Dawkins
35 - Por mais um dia - Mitch Albom
36 - Os Exilados de Capela - Edgard Armond
37 - - Robert J. Sawyer
38 - - Apostolos Doxiadis
39 - Nômade - Carlos Orsi Martinho
40 - Codebreakers: Arne Beurling and the Swedish Crypto Program During WWII - Bengt Beckman
41 - Maus - Art Spielgman
42 - Paradigmas volume 2 - vários autores
43 - As incríveis aventuras de Kavalier & Klay - Michael Chabon
44 - Atitude - Justin Herald
45 - Only Six Numbers - Martin Rees
46 - John von Neumann - Norman Macrae
47 - A ciência médica de House - Andrew Holtz
48 - Time’s Eye - Arthur Clarke e Stephen Baxter
49 - Sunstorm - Arthur Clarke e Stephen Baxter
50 - O mensageiro das estrelas - Galileu Galilei
51 - Firstborn - Arthur Clarke e Stephen Baxter
52 - 1001 Pérolas da sabedoria budista - vários autores
53 - Taikodom: Crônicas - Gerson Lodi-Ribeiro
54 - Budismo - Claude B. Levenson
55 - Um louco sonha a máquina universal - Janna Levin
56 - A última lição - Randy Pausch
57 - O livro tibetano da vida, nascimento e morte - John Peakcock
58 - Onde existe Luz - Paramahansa Yogananda
59 - - Ian Stewart
60 - Da Terra à Lua - Jules Verne
61 - Ao redor da Lua - Jules Verne
62 - The Poincaré Conjecture - Donald O’Shea
63 - The Calculus Wars: Newton, Leibniz, and the Greatest Mathematical Clash of All Time - Jason Socrates Bardi
64 - - Roger Williams
65 - A conjectura de Poincaré - George Szpiro
66 - Harry Potter e a pedra filosofal vol 1 - J. K. Rowling
67 - Harry Potter e a câmara secreta vol 2 - J. K. Rowling
68 - Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban vol 3 - J. K. Rowling
109 - Mente Zen, mente de principiante - Shunryu Suzuki
110 - Piritas Siderais - Guilherme Kujawski
111 – Trilogia do O Jogo no Tabuleiro – Simone Saueressig
112 – A invenção do Morel – Adolfo Bioy Casares
113 – A cidade do sol – Khaled Hosseini
114 – Alice no país das maravilhas – Lewis Carroll
115 – O melhor do desafio operário (Fábrica dos Sonhos) – vários autores
Acabei de ler esses dias um livro muito bacana, o “Uma senhora toma chá… – como a estatística revolucionou a ciência no século XX”, de David Salsburg.
O autor consegue a proeza de traçar um panorama da história da estatística até o final do século XX de maneira bem agradável, com exemplos de aplicações até os dias atuais, além de falar de alguns cientistas, alguns humildes e outros com ego grande, tramas com estatísticos trabalhando com a cervejaria Guiness e outras sobre preconceitos sexuais com as mulheres na estatística. É bom tanto para os iniciados na área como para os não-iniciados, que nem precisam ter profundo background matemático.
Tem várias personalidades, como (estranhamente, confundo-o com Bob Fisher de vez em quando…) e (um de meus matemáticos prediletos, merecidamente um Mozart da matemática). Mas o que achei legal mesmo é o destaque que o autor deu às mulheres na história da estatística. Eu não sabia que a enfermeira era uma boa estatística! Melhor ainda, ela inspirou um casal amigo dela a dar o nome à filha do casal. Pois é, existem duas Florences Nightingales! F.N. David trabalhou por uns tempos com o eminente estatístico , que também está no livro. Na real, o nome original do cara era Carl, mas mudou-o para Karl, em homenagem a Karl Marx. O_o
A guria também escreveu um livro interessante sobre probabilidade, o “Games, Gods and Gambling”, um misto de autobiografia com história. Vou dar uma olhada nesse livro também
Outra coisa interessante que aprendi do livro é a chamada “lei da misonomia de Stigler” ou “lei da eponimia de Stigler”. O que diabos significa? O enunciado da lei seria:
Nenhuma coisa na ciência leva o nome da pessoa que a descobriu.
Eu não diria que TUDO na ciência e em matemática segue essa lei, mas realmente há exemplos abundantes. Para começar, com a própria lei:
: Stephen Stigler diz que a lei foi enunciada pelo sociólogo Robert K. Merton.
: Dizem que foi Gauss que descobriu isso. Mas foi quem escreveu primeiro a fórmula. Há alguns comentários na literatura de que tenha a escrito, mas não é unanimidade.
: Poisson escreveu sobre essa distribuição, mas novamente, a distribuição foi descrita anteriormente por um dos Bernoulli.
: É verdade que foi descrita por Alois Alzhemier, mas outros já faziam descrições dessa doença.
: Deviam ser chamados de algarismos indianos ou hindu, afinal, foram inventados na Índia! Vez ou outra, os chamam de indo-arábicos…
E há vários outros …
Não é simplesmente mais um livro sobre a história da estatística. Diria até que foi o melhor que li até agora. Tem outro que fiz breves comentários, o “Enigmas of Chance” de Mark Kac, mas o “Uma senhora toma chá…” ganha de longe! Recomendadíssimo!
Ontem terminei de ler mais um livro bacana de ficção científica brasileira, o ““, do .
É um livro bem legal, uma verdadeira aula de história da computação e permeado de referências.
A trama se passa num Rio de Janeiro/São Paulo cyberpunk, onde a computação é onipresente e ubíqua e conta como as inteligências artificiais adquiriram consciência. O livro expressa bem a grande dependência que temos da tecnologia e também conta a história dos pós-humanos (algo a ver com humanos aprimorados pela tecnologia).
Gostei bastante do livro, o autor não deixa escapar nenhum conceito e quem não entende lhufas de computação não se sentirá muito perdido no livro. Mas vai ficar perdido de outra forma, com a grande quantidade de referências a autores, principalmente os obscuros.
Por um lado as referências expandem os horizontes, já que permite conhecer mais a fundo conceitos e autores que não conheceria de outra forma, mas por outro lado, é meio cansativo tentar fisgar, pesquisar e buscar entender a função de certas coisas mencionadas no texto.
Achei engraçadas algumas coisas no texto, como algumas notas de rodapé. Mas admito que tenho uma pequena crítica a isso, não vou comentar, senão vai ser spoiler.
De toda maneira, o livro é altamente recomendável e muito bom, a leitura é fluida, apesar dos pontos que citei acima. Bem que eu tava sentindo falta de ler coisas cyberpunks-pós-humanas à brasileira mesmo!
Meus parabéns ao Fábio Fernandes por finalmente ter lançado seu primeiro livro! Pra variar, um livro bom!