Implante com ressonâncias e desfibrilações

Uma das coisas que adoro em diagnóstico de imagens são as máquinas que possibilitam explorar o interior do corpo humano de maneira não-invasiva. E dentro dessa área, um dos métodos mais incríveis é a ressonância magnética (RM), que sempre quis entender em detalhes. Afinal, não é à toa que demoraram anos e anos para conseguirem fazer a primeira imagem usando ressonância. Como é que alguém ia sacar que um campo magnético combinado com emissão de radiofrequência poderia dar imagens nítidas? Mais legal ainda é que não envolve radiação ionizante, ou seja, não importa quantas vezes você faça uma RM, não afetará suas células, ao contrário do raio-x e da tomografia computadorizada.

Não entrarei em detalhes de como funciona a ressonância, mas tentarei ser o mais sucinta e clara possível. Boa parte do corpo humano é composta por hidrogênio (da molécula de água), composto por um próton. Esse próton tem spin (precessão) que acaba gerando um mini-campo magnético. E um conjunto desses átomos de hidrogênio é suscetível a um campo magnético externo, nesse caso, o da máquina. Aí todos os átomos de hidrogênio se alinham com o campo magnético e uma emissão de radiofrequência é efetuada. Os átomos absorvem essa emissão e novamente liberam essa energia de emissão, mas “modificada”, dependendo da parte do corpo humano. Essa informação é fornecida aos computadores da máquina para reconstruir a imagem. Para entender em detalhes mesmo a ressonância, recomendo que visite um tutorial, de um laboratório que tem um dos magnetos mais poderosos, de 45 Teslas! O.o Para você ter uma ideia de o quão poderoso é, uma máquina de ressonância nos dias atuais tem geralmente 3 Teslas e o campo magnético da Terra, 0,05 Tesla (não se deixe enganar, esse campo nos protege do vento solar).

E onde entra o implante coclear nessa história? Pois é, como ele é composto de certos materiais suscetíveis a atração por campos magnéticos intensos, não se pode fazer ressonância. Como sou teimosa e gosto de saber os limites toleráveis, resolvi pesquisar a respeito. De acordo com o que pesquisei e de um email que mandei para uma fonoaudióloga do Hospital das Clínicas (Dra. Valéria Goffi), para alguns modelos recentes de implantes (como os Nucleus Freedom da Cochlear), campos de até 1,5 Tesla são toleráveis sem correr risco de deslocamento interno de partes internas do implante e de até 3 Tesla se remover cirurgicamente o magneto que fica logo abaixo do couro cabeludo. Em ambos os casos, a cabeça do paciente tem que estar protegida com uma bandagem bem apertada. Vi que um paciente implantado já teve essa experiência, relatada aqui. Pelo jeito, mesmo com todas essas precauções, ainda se sentem efeitos desagradáveis do campo magnético no implante. Brrr.

Ainda bem que existem outros métodos de diagnóstico possíveis, mas infelizmente a maioria tem radiação ionizante :( Espero não precisar de nenhum desses exames e nem os outros implantados ^^

Por último, finalmente matei minha curiosidade sobre se o implantado poderia receber choque de um desfibrilador, caso precise ser reanimado. Felizmente pode, pois até quem usa marcapasso pode ser reanimado por esse método. Mesmo assim, cuidem bem de seus corações, ok? :D

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Clipe musical “No deciding ” – máquina de Turing

Uma musiquinha matemática para ter a máquina de Turing na cabeça :D

Fonte: Reddit.

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Curiosidades radioativas

Todo esse alvoroço sobre as usinas nucleares do Japão me fez lembrar de um dos meus tópicos prediletos das aulas de física do colegial e graduação, física nuclear. Afinal, é fascinante como um átomo pode liberar tanta energia e algumas partículas pelo caminho com uma fissão e mais ainda com uma fusão…

No meu passeio diário pelo Google Reader, achei alguns links relativos ao assunto que valem a lida:

Introduction To Radiation – Resumo bem sucinto de física nuclear, para dummies, com conceitos importantes como a meia-vida, doses de radiação, unidades e efeitos biológicos da radiação.

Unidade de radiação baseada na banana – Interessante saber que a banana tem 0,01% de potássio-40, radioativo.

Radiation Chart – Um gráfico informativo sobre as doses equivalentes de radiação. Bem útil para saber se a situação é de excesso de alarmismo ou confiança demais.

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Vídeo com fractais

Lembra que falei sobre o tal do Fractal Explorer no post anterior? Pois bem, tem um vídeo bem bacana feito com o site aqui:

Fonte: MrHonner.

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Leituras e fractais

Acho que aquele meu plano de postar algo pelo menos a cada 15 dias foi pro espaço… Por motivos acadêmicos, terei que reduzir e muito o tempo dedicado a escrever posts longos, mas se tiver sorte, postarei coisas curtas por aqui :)

Primeiro, um breve comentário sobre algumas das últimas leituras (sim, esse ano estão vagarosas e se eu chegar aos 50 livros lidos, já está de bom tamanho). Os últimos que li:

- Decoding the universe – Charles Seife – Um panorama da história da teoria da informação e como a entropia se relaciona intimamente com a informação. Bem interessante para quem curte essas teorias.

- Galileo’s Dream – Kim Stanley Robinson – Depois de ler a excelente série de Marte escrita pelo autor, resolvi me aventurar a ler mais um livro do mesmo, e é uma ficção científica bem inusitada, com Galileu de personagem principal! O.o

- Zen to Done – Leo Babauta – Um dos motivos de postar pouco hehe. Costumo relê-lo de vez em quando, para me ajudar a focar no que é importante e tentar aprender a não ser multi-tasking (ou seja, deixar ligado o navegador e outras distrações). Tem outro ebook do cara, chama- se Focus, também é legal para se motivar e disciplinar. Tem uma versão gratuita em português (e com autorização do autor) aqui.

Para finalizar, achei um site muito legal que explora fractais, baseado em Webgl (ou seja, só roda no chrome ou no firefox 4 beta) aqui.

Até a próxima! :)

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