Breves curiosidades de xadrez e computadores

Ontem tive o prazer de descobrir por esse post um documentário bem interessante sobre o confronto entre o jogador humano Kasparov e o supercomputador Deep Blue. E coincidência ou não, ao terminar hoje a leitura de “Moral Machines“, me deparei com alguns links interessantes sobre o confronto de 1997. Então, resolvi escrever brevemente sobre o assunto.

Nos primórdios da IA, muitos consideravam que um computador saber jogar xadrez era um bom sinal de avanço na área. Na verdade, não é bem assim, porque o computador não joga xadrez da mesma forma que nós jogamos. Assim que movemos a primeira peça, como o peão, há um certo número de possibilidades de contra-movimentos para aquela peça (só não especifiquei o número porque cada peça tem regras de movimento diferentes). Nós, humanos, também pensamos nas possibilidades de movimentos futuros, mas apenas em uma janela estreita de possibilidades (até umas 5 jogadas adiante, se bem que enxadristas talentosos podem pensar em mais jogadas), enquanto que o computador consegue calcular fácil, em segundos ou minutos, milhares de jogadas adiante para cada possível peça. O fato de calcular rapidamente as probabilidades de movimentos e plotá-las numa árvore de possibilidades com essa aqui não significa que o computador seja inteligente ou apto a passar num, digamos, teste de Turing. Que é apenas especializado em jogar xadrez, e nada mais. É um tipo de savant de silício, por assim dizer. Mas talvez isso mude no futuro…

De qualquer modo, o estudo de supercomputadores para jogar xadrez é bem útil, em termos de processamento de alto volume de dados em pouco tempo. E indo para o objetivo principal do post, que era o de compartilhar os links que achei no livro “Moral Machines“, para quem curte um pouco de história e curiosidades:

The triumphant teamwork of humans and computers – Descrevendo a interação dos humanos com os computadores pelo xadrez e técnicas que humanos desenvolveram para derrotar os programas, por causa de alguns “vícios computacionais” em xadrez.

Multimedia Report by Frederic Friedel: Garry Kasparov vs. Deep Blue – Uma espécie de diário, descrevendo os dias do confronto em 1997.

Deep Blue – Overview – Site oficial do confronto de 1997 (meio velhinho, uma repaginada seria boa hein?).

E para quem quiser saber de outros jogos de xadrez entre humanos e computadores, a Wikipedia tem uma listagem.

PS: Não sou boa jogadora de xadrez, não consegui até agora ganhar do computador, exceto se ele joga no modo aleatório ou no nível fácil :P

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Eclipse da Lua para encerrar o ano

Opa, parece que vai ter eclipse da Lua na madrugada e início da manhã do dia 21 :) Vamos ver se o tempo ajuda, já que me atrapalhou para ver a chuva de meteoros de Geminídeos e acabei não conseguindo ver…

Você pode ver a tabela detalhada dos horários de cada entrada e saída das sombras (penumbra e umbra) da Terra aqui, mas o que importa é que às 5h40 a Lua começa a entrar na sombra mais escura (umbra) e o máximo será às 6h16. Mas provavelmente só vai dar para ver uma parte, porque a Lua já estará se pondo e bem baixo no horizonte… bom, não custa nada tentar :D

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Quando ouvir demais não é bom

Um comentário sobre sinestesia feito pelo André T. (valeu pela dica!) no post anterior me fez lembrar de uma coisa que aconteceu por alguns dias logo após a ativação do meu implante. Bom, o que acontecia exatamente? Como a cóclea está do lado de alguns nervos, quando ela começou a ser estimulada, de alguma maneira esquisita (meus conhecimentos de anatomia não são bons) acho que alguma coisa responsável pelo processamento da visão também era ligeiramente afetada, o que induzia a uma leve sensação de sinestesia, ou seja, toda vez que eu ouvia algo, meu campo visual ficava ligeiramente esquisito e brilhante. Mas foi coisa de poucos dias, logo depois acho que meu hardware se acostumou às novas condições e viu que ouvir não era bem a mesma coisa que “enxergar” o som.

Semana retrasada, fui fazer minha programação de rotina do implante coclear. É importante ao implantado retornar a cada 6 meses para ver como estão as coisas com seu bichinho de estimação de silício e fazer uns testes. Em certo momento, nos ajustes que a fonoaudióloga estava fazendo, o processador de fala do implante processava os sons num nível absurdamente alto, mas tão alto que toda vez que eu ouvia um som, fazia mexer os músculos do lado esquerdo da minha face e um puxão no meu olho esquerdo. O que NÃO é bom, pois está ocorrendo estimulação excessiva na cóclea e consequentemente em toda a “fiação” que passa perto dos eletrodos na cóclea, inclusive no nervo facial. Para ter uma ideia de o quão perto o nervo facial fica da cóclea, dê uma olhada na figura abaixo:

Nervos nas proximidades da cóclea

Nervos nas proximidades da cóclea

A figura é relativamente antiga, mas mostra no lugar certo onde ficam os nervos faciais e acústicos (praticamente um colado no outro nas proximidades da cóclea). Deu para sentir o drama né? Claro que foram refeitos ajustes para não ocorrer isso novamente. O objetivo do implante é fornecer um meio de conseguir me virar com os estímulos sonoros no mundo. Antes eu achava que era para botar no último volume, mas descobri que não necessariamente. Desde que o som seja de qualidade e inteligível e sem estimular outros nervos que não têm nada a ver com os sons, está de bom tamanho :)

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Minha relação com o eletromagnetismo

Sempre gostei das equações do eletromagnetismo, criadas por Maxwell. Tá, apesar de apanhar muito dessas equações na graduação, as amo do mesmo jeito. Para quem não sabe do que estou falando… bom, duas versões. Resumida: são um conjunto de quatro equações que essencialmente explicam tanto os fenômenos elétricos como os magnéticos e esses dois fenômenos estão relacionados (por isso a palavra eletromagnetismo).
A outra versão, minha predileta, a matemática:

[latex]
\nabla \cdot \mathbf{D} = \rho \\
\nabla \cdot \mathbf{B} = 0 \\
\nabla \times \mathbf{E} = -\frac{\partial \mathbf{B}} {\partial t} \\
\nabla \times \mathbf{H} = \mathbf{J} + \frac{\partial \mathbf{D}} {\partial t}
[/latex]

Bom, indo direto ao que eu queria falar… Um recurso muito útil para mim e para outros deficientes auditivos que portam aparelhos auditivos e implantes cocleares é o chamado modo T, abreviação de T-coil, ou em bom português, bobina de indução. É aí que o eletromagnetismo vem ajudar: é um fio da bobina que pega o campo magnético variável da parte do fone de ouvido do telefone/celular. É como se fosse um transformador em duas partes, metade no aparelho/implante e a outra no dispositivo no qual quero ouvir. Aí é fazer eles se acoplarem, diminuindo a distância entre eles.

A vantagem de usar esse modo é que não escuto o som do ambiente, apenas escuto o que o telefone transmitir. Como qualquer coisa sempre tem seu lado ruim, é que é muito sujeito a interferências eletromagnéticas de outros dispositivos.

Afinal, estamos rodeados de ondas eletromagnéticas de tudo quanto é canto, tanto do computador, da televisão, dos fios dos postes, das lâmpadas fluorescentes (sim, elas adoram meter o bedelho no meu aparelho), enfim, não vivemos sem eletricidade. Mas felizmente não é qualquer coisa que vá atrapalhar meu aparelho, só se certas condições forem satisfeitas. Pior é que não sei especificar que condições são essas, mas em geral, quando vou usar esse modo para falar ao telefone, não fico perto de: computadores desktop (notebooks não afetam, felizmente), máquinas de lavar, televisões (pelo menos as do tipo CRT) e outras coisas embutidas no ambiente. A universidade onde estou é uma “excelente” fonte de interferência EM de tanta tecnologia que tem que tenho que ir sempre para fora dos prédios para conseguir usar o telefone e ouvir algo ¬¬

E é por isso que não consigo falar ao telefone em qualquer lugar. Tipo, no metrô de SP (onde tem sinal de celular em algumas linhas). Putz, se eu botar no modo T no metrô… meu córtex auditivo (ou o que for responsável pelo som) enlouquece.

Há uma alternativa quando o ambiente impede o uso do modo T, é tentar ouvir na marra no modo “normal”, que é o modo padrão dos aparelhos e dos implantes, para pegar os sons dos ambientes. É sempre meu plano B, quando não há jeito.

Nas minhas rápidas pesquisas, descobri que alguns lugares oferecem acessibilidade ao deficiente, disponibilizando um tipo de “amplificador T-coil” no ambiente, onde ele pode ouvir o que for transmitido nesse ambiente, por exemplo, em alguns aeroportos dos EUA há esse dispositivo. Também tem em auditórios, teatros e em outros lugares, mas nunca testei nos teatros daqui. Pelo menos não vi aqui (ou não tô sabendo) de um lugar disponibilizando isso :( E quando disponibilizam, avisam com uma plaquinha tipo essa:

Deaf-friendly

Deaf-friendly

Apesar de não entender 100% do que as pessoas falam ao telefone (meu, telefone não é lugar para falar rápido), não deixo de usar o telefone e continuo treinando meu ouvido (agora posso usar o telefone dos dois lados). Bom, vou lá dar uma ligadinha…

PS: E se alguém ver a tal plaquinha aqui em SP ou em outro lugar, faz favor de avisar para eu ir testar? :D

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Sinais de que a Skynet está chegando…

Skynet Trio

Skynet Trio

Fonte da imagem: Why No Ally?

Quadrocopters can now fly through thrown hoops – Um mini-helicóptero capaz de atravessar arcos sem ajuda humana. Está na cara que são os futuros pilotos daquelas máquinas voadoras da série de filmes Terminator.

Google Cars Drive Themselves – Parece que o investimento maciço do Google em IA já está dando frutos com um carro que dirige sozinho.

Microsoft Kinect – O Kinect sabe e vai entender tudo o que você gesticular e falar na frente dele =O Isso é que é aprendizado de máquina potente! (tem que funcionar em ambientes reais, com variações de iluminação e de tamanho da sala, além de reconhecer os jogadores).

Bom, pelo visto, já está na hora de dizermos “All hail our new robotic overlords!”…

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