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Uma saga marciana

4, abril, 2010 Giseli Ramos 7 comentários
Lobate Debris Apron in Deuteronilus Mensae

Lobate Debris Apron in Deuteronilus Mensae

Fonte: HiRISE

Marte é um belo e misterioso planeta que nos fascina desde a Antiguidade… Para provar esse ponto, só olhando a quantidade de missões enviadas ao planeta vermelho e ao fato de que Marte é fotografado pela melhor câmera digital do Sistema Solar :D

Terminei há um tempo de ler a fantástica trilogia sobre Marte, do Kim Stanley Robinson, que é composta dos seguintes livros: Red Mars, Green Mars e Blue Mars. Infelizmente sem tradução para português e como o Fábio Fernandes disse, como as editoras brasileiras demoram muito (ou nunca) para traduzir várias obras importantes (não apenas de ficção científica, como de outros gêneros), teremos que ler no original para nos mantermos em dia :(

Na minha opinião, acho que foi a trama mais hard sci-fi que já vi sobre terraformação marciana. A saga começa com Red Mars, em 2026, com o envio dos primeiros 100 colonizadores para o planeta e uma breve descrição da sociedade naquele momento, que diga-se de passagem, é um futuro bem plausível, dominado pelas corporações e alianças com governos. Afinal, quantas decisões governamentais mundiais hoje em dia são influenciadas por causa de corporações? E o primeiro volume termina em 2062, com uma revolução, para se tornar independente da Terra.

Green Mars se passa depois da revolução (que fracassou) e mostra tanto Marte e Terra em situações difíceis e a luta entre vários grupos com pontos de vista diferentes sobre a modificação de Marte.

E a trilogia se encerra com Blue Mars que mostra a consolidação de Marte, já bastante alterado pela terraformação, como um planeta com seu próprio governo e sua sociedade. O último volume foi o mais fraco dos três, o autor ainda deu uma enrolada desnecessária em algumas partes e não curti muito o final, parece que perdeu um pouco de fôlego. Mas isso não tira o mérito da trilogia, certamente vale a leitura!

O impressionante nessa trilogia é que Marte não é um mero coadjuvante, é um personagem em seu próprio direito, o que só torna as coisas bem interessantes. E nas descrições de deslocamentos pela superfície marciana, o autor não economiza nas palavras para contar como foi o trajeto, rodeado de majestosas paisagens, sem contar as dificuldades. E há mapas nos três livros, para se situar.

Eu situaria essa trilogia como um dos must read de obras de ficção científica. Apesar de ser bem hard sci-fi, não significa necessariamente que o autor usou corretamente argumentos científicos, algumas coisas da terraformação descritas nos livros forçaram muito a barra, mas afinal, é ficção científica e não afeta muito a suspensão de realidade, pelo menos. E agradeço ao Ivo, que gentilmente me emprestou essas obras :D

Finalizando, sugiro, para imersão de realidade marciana, navegar no Google Mars e no site da HiRISE.

Os dias da peste

16, novembro, 2009 Giseli Ramos 2 comentários

Ontem terminei de ler mais um livro bacana de ficção científica brasileira, o “Os dias da peste“, do Fábio Fernandes.
É um livro bem legal, uma verdadeira aula de história da computação e permeado de referências.
A trama se passa num Rio de Janeiro/São Paulo cyberpunk, onde a computação é onipresente e ubíqua e conta como as inteligências artificiais adquiriram consciência. O livro expressa bem a grande dependência que temos da tecnologia e também conta a história dos pós-humanos (algo a ver com humanos aprimorados pela tecnologia).

Gostei bastante do livro, o autor não deixa escapar nenhum conceito e quem não entende lhufas de computação não se sentirá muito perdido no livro. Mas vai ficar perdido de outra forma, com a grande quantidade de referências a autores, principalmente os obscuros.

Por um lado as referências expandem os horizontes, já que permite conhecer mais a fundo conceitos e autores que não conheceria de outra forma, mas por outro lado, é meio cansativo tentar fisgar, pesquisar e buscar entender a função de certas coisas mencionadas no texto.

Achei engraçadas algumas coisas no texto, como algumas notas de rodapé. Mas admito que tenho uma pequena crítica a isso, não vou comentar, senão vai ser spoiler.

De toda maneira, o livro é altamente recomendável e muito bom, a leitura é fluida, apesar dos pontos que citei acima. Bem que eu tava sentindo falta de ler coisas cyberpunks-pós-humanas à brasileira mesmo!

Meus parabéns ao Fábio Fernandes por finalmente ter lançado seu primeiro livro! Pra variar, um livro bom! :)

PS: Você pode ler uma amostra do livro aqui.