Arquivo

Textos com Etiquetas ‘implante coclear’

Um vídeo e mais um pouco sobre segurança de ICs

2, junho, 2010 Giseli Ramos 9 comentários

Post rápido só para mencionar duas coisas:

1 – Não deixem de ver um vídeo muito bacana sobre a ativação de um implante coclear de um bebê. Muito bonitinho :) (vi no blog do Kentaro)

Imagem de Amostra do You Tube

2 – Só um complemento com relação ao meu post anterior, sobre reflexões a respeito da segurança de ICs… Perguntei à fonoaudióloga Valéria Goffi como era a situação atual e ela me disse que o implante é protegido com algum tipo de criptografia das partes importantes, ou seja a transmissão por radio frequência só é feita codificada, e qualquer informação que passa tem que ter o “contato direto” com o processador, ou seja, através do cabo de programação. A informação por FM ou bluetooth só serve para captar informações, até pode gerar uma distorção no som, mas não corrompe mapas… é apenas uma questão de se afastar da fonte geradora da interferência.

Huh, então meu implante coclear tem criptografia RSA de 1026 bits? Pô, eu tinha uma chave PGP e não sabia!  :P

Vírus em implantes e a segurança dos implantes cocleares

26, maio, 2010 Giseli Ramos 6 comentários

Uma notícia hoje me chamou muito a atenção, que era sobre um cientista britânico dizer que foi infectado por um vírus de computador. Em particular, o seguinte trecho:

Gasson admite que o teste apenas prova um princípio, mas ele acredita que existam implicações importantes para um futuro em que aparelhos médicos, como marcapassos e implantes cocleares

Implantes cocleares?! Tudo bem que o experimento é meio rudimentar demais e seria equivalente a engolir um disquete com vírus (alguém me disse isso), mas mesmo assim, dá margem a especulações interessantes sobre a segurança dos implantes médicos. Já li por aí que, teoricamente, é possível invadir um marcapasso. Agora vamos especular um pouco e tentar explorar falhas nos implantes cocleares com a tecnologia atual:

DISCLAIMER: O que vou falar a seguir tem grandes chances de ser ficção, afinal, são especulações e não tem nenhuma comprovação real. Então, caso você seja um implantado que parou por acaso por aqui, não entre em pânico, hein? Não precisa ir correndo pegar um antivírus :P

- Alguns modelos têm suporte a bluetooth, cujo uso “oficial” é para se usar em conjunto com um dispositivo de microfone bluetooth também. Mas se alguém interceptar a comunicação e “fingir” que é um microfone…. Sei lá, alguém pode tirar proveito disso?

- Supondo que alguém tenha acesso ao implante coclear, na pior das hipóteses, vai corromper o programa de DSP, você pode não ouvir nada direito.

- Tem uma coisa que pode ser muito muito ruim: em geral, os programas DSP do implante são ajustados para ligarem até 12 eletrodos simultaneamente. A maioria dos implantes tem 22 eletrodos, então sempre se escolhe até 12 eletrodos por ciclo. A fono me disse que mais do que 12 eletrodos ao mesmo tempo pode deixar desorientada a pessoa ou até deixar dolorida a audição, deixando-a sobrecarregada. Vai que o vírus queira botar mais do que 12 eletrodos ao mesmo tempo?

Isso são “teorias tiradas do nada”, com base no que sei sobre ICs. Mas é legal fazer brainstorm e ir se prevenindo. Se alguém quiser me indicar já um antivírus…

Especulações à parte, claro que os implantados estão seguros de verdade, pois a única maneira de acessar o IC é por um cabo especial que a fonoaudióloga do mapeamento tem. Agora se o computador do mapeamento estiver infectado…. :P

Depois de 4 meses…

7, fevereiro, 2010 Giseli Ramos 5 comentários

Esses dias fiz outro mapeamento dos eletrodos do meu implante coclear (basicamente são ajustes na ativação dos eletrodos e sua intensidade de acordo com a frequência) e ainda aproveitei para fazer a audiometria com o implante ligado. Subjetivamente, eu já notei a diferença, mas foi bem gratificante ver numericamente o ganho auditivo! =D Sem mais enrolações, uma foto da minha audiometria do ouvido esquerdo (meio borrada, é verdade):

O que está em azul indica minha audição antes do implante e o que está em verde, com o implante ligado, depois de 4 meses. Quatro meses e já tudo isso! Já dá para notar a diferença, hein?

Para os desavisados, uma breve explicação sobre audiometria. Não faz muito sentido alguém me lançar a seguinte pergunta “quanto por cento de perda auditiva?”. As perdas são diferentes para cada frequência e a audiometria mede justamente o quão alto tem que ser um som em tal frequência (tom puro) para ser identificado pelo sistema auditivo. A imagem seguinte é auto-explicativa (assim espero):

Audiometria

Audiometria

Fonte da imagem: Wikipedia

Get it? Quem tem a audição dita normal/intacta ouve na faixa de 10-20 dB (quanto menor o valor em dB, é melhor a audição). E as frequências da fala humana se situam entre 250 Hz e 2000 Hz, que são as que mais importam.

Na prática, já posso dizer que escuto bastante. Mas notem que há uma grande diferença entre escutar e entender. Já cheguei na parte do “escutar”, mas para entender, ainda tenho um bocado para aprender ^^ Mesma coisa que acabar parando num país estrangeiro sem falar a língua local. O importante é que tô chegando lá e tenho certeza de que vai melhorar! :D

Mitos do implante coclear

24, novembro, 2009 Giseli Ramos 12 comentários

Vez ou outra tenho que explicar de novo algumas coisas para as pessoas sobre o que o implante coclear não é. E também o que se deve esperar do implante nos primeiros meses após a ativação.

Pois bem, o processo de aprendizado e de adaptação leva vários meses, não é nas primeiras sessões com a fono que já vou aprender a tirar 100% de proveito do implante. O cérebro ainda tem que aprender o novo protocolo de comunicação entre o implante e a parte que processa a audição no cérebro.

Continuarei usando a leitura labial sim, principalmente em ambientes barulhentos, mas é claro que o input extra de sons vai ajudar na compreensão, com o tempo.

Quando estava pesquisando para pegar a fonte de que implantes cocleares não tornam a pessoa um pára-raios ambulante, me deparei com um texto bem interessante sobre o que o implante coclear é e o que não é. Inspirada pelo texto, vou destacar os pontos sobre o que o implante coclear NÃO é:

  • O implante coclear não te transforma em um morcego com audição aguçada ou na Mulher Biônica (ou Terminator), ouvindo o silvo de cobras a 500 metros.
  • O implante não cura e nem “arruma” a surdez! Apenas fornecem uma maneira de perceber os sons. Quando se desliga o implante, não se ouve sons.
  • A habilidade de localizar os sons não se aprende da noite pro dia.
  • O implantado não se torna um pára-raios ambulante. NÃO mesmo! Então não precisam ficar fazendo notas mentais do tipo: “em tempestades, ficar longe da Gi” como um amigo meu me disse :P Claro que se eu estiver no alto de uma torre segurando uma haste de metal e berrando loucamente para os raios, podem ficar longe. Mas não vai ser por causa do implante não. Trovoadas podem dar ligeiras interferências eletromagnéticas, mas nada que um desligamento temporário do implante não resolva, até passar.
  • Vocês vão ter que continuar repetindo coisas para mim. Tá, vou falar menos “hein?” e a compreensão vai melhorar com o tempo, mas não terei audição cristalina como as águas do Pacífico…
  • Não tenho entrada USB nem outro tipo de plug no implante. A parte externa do implante se fixa à parte interna por meio de um ímã. E se comunicam por ondas rádio. Sem sangue e nem tomadas à la Matrix no meio.
  • Os eletrodos do implante coclear ficam na cóclea, parte do ouvido interno. E é só, não tem fiozinhos no cérebro (quem me dera…).
  • Eu sou desastrada por natureza. Mas eu já era, antes de fazer o implante :) Então, fazer o implante não afeta o sistema de equilíbrio (temporariamente logo após a cirurgia pode até ser verdade) e não faz as pessoas serem mais desastradas. E caso o equilíbrio seja afetado, são exceções à regra.
  • O implante coclear não vai impedir a prática de atividades esportivas. Tá, esportes como ninjustu ou outros que envolvam pancadas diretas na cabeça não são recomendáveis. Mas são poucos os esportes a se evitar oras. E correr é um ótimo exercício!

Enfim, espero ter ajudado a esclarecer a cabeça de algumas pessoas com esse post. Sugestões e correções são bem-vindas.

Finalizando, cada implantado tem uma experiência diferente, única, portanto, difícil de reproduzir :)

Fontes:
Cochlear Implants: Myths and Realities
What a Cochlear Implant is NOT and what it IS

Ativação e o primeiro dia

3, novembro, 2009 Giseli Ramos 18 comentários

Pessoal, alguns de vocês já devem saber que fiz a cirurgia do implante coclear. E quem não sabia, bom, fica sabendo agora então. Pois bem, 39 dias depois da cirurgia, finalmente ativaram o meu implante coclear! =D É que tem um tempo de espera de 30 dias no mínimo, para completa cicatrização… Imagina passar um mês esperando por isso!

É bem esquisita mesmo a sensação auditiva no ouvido implantado. Ainda mais porque eu não escutava nada nesse ouvido e agora ele está pegando algumas coisas que sei que são sons, mas ainda não consigo interpretá-los. Imagina o seguinte… ouve “du” num ouvido (o que usa aparelho auditivo) e no outro (o que usa o implante), “te”. O resultado disso? Um nó no cérebro! Pode parecer coisa de doido, mas é apenas o lado inativo da audição aprendendo… É desorientador no começo, mas é divertido =P

Um amigo me perguntou se minha percepção sensorial era só de som mesmo, ou tinha algo mais. Explico… por exemplo: tem um caso pouco relacionado com o meu, que eu achei bacana (daqui até o final do parágrafo são palavras do Murilo =P): o da Hellen Keller, que era cega e surda. Um dia a professora de Helen escreveu “água” na palma de uma das mãos, e colocou a outra mão embaixo da torneira, e então a ficha caiu e ela percebeu que a sensação numa mão era equivalente a sensação na outra, e saiu querendo saber o nome de todos os objetos da casa. O resultado? Ela virou autora de livros, palestrante e ativista política!

Respondendo a essa pergunta, eu diria que é só som mesmo. Se bem que tem sim um “efeito” a mais, mas muito difícil de colocar em palavras. Vou só dizer que, dependendo de alguns sons e de sua intensidade, minha cabeça fica meio “transcendente”. Com aparelho auditivo o efeito era raro, e agora com o implante, frequente. Um dia explico direito…

Hoje também fiquei fuçando no kit do implante coclear que vem com um moooonte de coisas, tipo, acessórios (cabo para conectar a mp3, a tv, fones de ouvido), baterias extras e peças sobressalentes. Além de uma documentação detalhada, claro. E um cartãozinho dizendo que sou ciborgue, já que terei que mostrar esse cartão caso dispare alarmes por aí =)

Por ora é só, agora é ir se adaptando. No primeiro mês testarei 4 programas no processador de fala, um a cada semana (com volume crescente). Vamos ver o que acontece! :D