Uma saga marciana
Fonte: HiRISE
Marte é um belo e misterioso planeta que nos fascina desde a Antiguidade… Para provar esse ponto, só olhando a quantidade de missões enviadas ao planeta vermelho e ao fato de que Marte é fotografado pela melhor câmera digital do Sistema Solar
Terminei há um tempo de ler a fantástica trilogia sobre Marte, do Kim Stanley Robinson, que é composta dos seguintes livros: Red Mars, Green Mars e Blue Mars. Infelizmente sem tradução para português e como o Fábio Fernandes disse, como as editoras brasileiras demoram muito (ou nunca) para traduzir várias obras importantes (não apenas de ficção científica, como de outros gêneros), teremos que ler no original para nos mantermos em dia
Na minha opinião, acho que foi a trama mais hard sci-fi que já vi sobre terraformação marciana. A saga começa com Red Mars, em 2026, com o envio dos primeiros 100 colonizadores para o planeta e uma breve descrição da sociedade naquele momento, que diga-se de passagem, é um futuro bem plausível, dominado pelas corporações e alianças com governos. Afinal, quantas decisões governamentais mundiais hoje em dia são influenciadas por causa de corporações? E o primeiro volume termina em 2062, com uma revolução, para se tornar independente da Terra.
Green Mars se passa depois da revolução (que fracassou) e mostra tanto Marte e Terra em situações difíceis e a luta entre vários grupos com pontos de vista diferentes sobre a modificação de Marte.
E a trilogia se encerra com Blue Mars que mostra a consolidação de Marte, já bastante alterado pela terraformação, como um planeta com seu próprio governo e sua sociedade. O último volume foi o mais fraco dos três, o autor ainda deu uma enrolada desnecessária em algumas partes e não curti muito o final, parece que perdeu um pouco de fôlego. Mas isso não tira o mérito da trilogia, certamente vale a leitura!
O impressionante nessa trilogia é que Marte não é um mero coadjuvante, é um personagem em seu próprio direito, o que só torna as coisas bem interessantes. E nas descrições de deslocamentos pela superfície marciana, o autor não economiza nas palavras para contar como foi o trajeto, rodeado de majestosas paisagens, sem contar as dificuldades. E há mapas nos três livros, para se situar.
Eu situaria essa trilogia como um dos must read de obras de ficção científica. Apesar de ser bem hard sci-fi, não significa necessariamente que o autor usou corretamente argumentos científicos, algumas coisas da terraformação descritas nos livros forçaram muito a barra, mas afinal, é ficção científica e não afeta muito a suspensão de realidade, pelo menos. E agradeço ao Ivo, que gentilmente me emprestou essas obras
Finalizando, sugiro, para imersão de realidade marciana, navegar no Google Mars e no site da HiRISE.



